Arquidiocese de Juiz de Fora

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Coral Arquidiocesano Benedictus

A música sacra - polifônica, instrumental ou uníssona, em especial o canto gregoriano - existe para o louvor de Deus e a santificação dos fiéis, ensina a Igreja. Constitue também um símbolo forte para os ideais de comunhão eclesial desejada e anunciada por Cristo quando rezou ao Pai: Que todos sejam um, ó Pai, como eu e Tu somos um.” (Jo. 17,21), como destacou o Santo Padre Bento XVI na Alemanha, em setembro de 2011:  “A harmonia musical nos ajuda a compreender a unidade que deve acontecer na igreja”.  

A Arquidiocese de Juiz de Fora vive, atualmente, um forte momento unificador e missionário, após a realização do seu Sínodo encerrado em junho de 2011. Este espírito sinodal impele as suas forças vivas ao ideal de  ‘caminhar juntos’, em espírito de autêntica comunhão, à luz da origem etimológica da palavra ‘Sínodo’. Constantam-se insistentes apelos do Sínodo  Arquidiocesano no sentido de despertar e preparar os discípulos missionários também para servirem aos vários ministérios da liturgia. Isto nos leva a destacar a viva participação dos fiéis no canto, e ao mesmo tempo a necessidade de se ter corais não só para sutentar o canto dos fiéis, como também para auxiliar, com arte e beleza próprias, nossas celebrações litúrgicas, especialmente as solenidades e festas.

            Sobre isto, recomendou o Concílio Vatricano II, cujo cinquentenário estamos para celebrar, em sua Constituição Sacrosanctum Concillium:   “A Tradição  musical da Igreja é um tesouro de  inestimável valor, que excede todas as outras expressões de arte, sobretudo porque o canto sagrado, intimamente unido com o texto, constitui parte necessária ou integrante da Liturgia solene”.(SC 112)

            A mesma Sacrosanctum Concillium sublinha a necessidade de se conservar e favorecer a formação de corais em nossas Igrejas, particularmente em nossas Catedrais, sem prejuízo de cantos cantados também pelo povo, e ainda a necessidade de se incluir nos seminários a formação e o incentivo para música sacra, bem como o gosto pela arte religiosa em geral.  (cf. SC 114 e 144).

Em toda a história, a Igreja primou pela boa música para cantar a beleza eterna de Deus, vendo na arte um jeito legítimo de se ir a Deus, conforme afirma o texto atribuído ao Santo Padre, disponível na internet, em preparação para livro a ser publicado sobre a música sacra: “é bom elogiar a Deus com a arte... A beleza das criações artísticas é uma estupenda maneira de chegar a Deus... Há uma profunda relação entre a música e a esperança, entre o canto e a vida eterna: não em vão a tradição cristã mostra os espíritos beaventurados, enquanto cantam em coro, tomados e extasiados pela beleza de Deus. A arte autêntica, como a oração, não nos afasta da realidade de cada dia, mas sim nos devolve a ela para ‘regá-la’ e fazê-la germinar para que dê frutos de bem e de paz”.

            Verifica-se a necessidade de se recuperar o rico acervo de composições musicais sacras de alto valor artístico do passado e do presente, existentes nos arquivos eclesiais, sejam peças de origem universal, regional ou local, muitas  vezes ameaçados de se perderem. Para tudo isto, criamos o Coral Arquidiocesano, em dezembro último, com as preliminares de seleção de vozes e ensaios a partir da primeira semana de novembro. O Decreto de criação do novo Coral foi assinado por nós  aos 23 de dezembro de 2011. Desejando homenagear a Jesus que nos chega no Natal e também  à Sua Santidade Papa Bento XVI, a quem veneramos com devoção,  que além de legítimo sucessor de Pedro, é músico, instrumentista, cantor e particular incetivador da música sacra, determinamos que fosse dado o nome de Benedictus a esta schola cantorum, ficando assim registrado como Coral Arquidiocesano Benedictus.

            Para primeiro regente, escolhemos o professor e maestro Ciro Tabet, e como segundo regente, o Padre João Francisco Batista da Silva.         Cumprindo o previsto, o grupo fez sua primeira apresentação em nossa Catedral, na dia santo da Natividade so Senhor, de forma tão bela e agradável que promete se tornar, em nossa região, grande expressão da música sacra renovada pelo Concílio, que inclui a valorização do patrimônio musical católico, cujo valor é atemporal, pois o que é autenticamente belo e santo não conhece limites.

 

 

Dom Gil Antônio Moreira

Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora

 

6 de janeiro de 2012

 

 

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