Uma grande cruz peregrina pelo mundo. Ao seu lado acompanha um expressivo ícone da Santíssima Virgem Maria. Tais símbolos retomam momentos históricos de grande significação para a Igreja. Em 1982, o grande Papa João Paulo II, hoje beatificado, tendo completado o terceiro aniversário de seu pontificado, convocou o mundo para o Ano Santo da Redenção, comemorando os 1950 anos da ressurreição do Senhor, celebrando-o entre 25 de março de 1983 e 22 de abril de 1984. O evento resultou numa espécie de gigantesco exercício espiritual, onde se intensificaram a oração, a meditação da Palavra de Deus e o aprofundamento de estudos teológicos, tudo culminando, de forma muito marcante, nas Celebrações da Eucaristia, o Mistério da Paixão Morte e Ressurreição de Cristo.
Para sinalizar visivelmente o grande momento, o Pontífice mandou colocar na Basílica de São Pedro, em Roma, ao lado do altar central, uma grande cruz, de 3, 80 m de altura. Desejava que todos os que visitassem aquele santuário, fossem despertados para o amor de Cristo que deu a vida pela humanidade. Ao adentrar o recinto, através da Porta Santa que só se abre nos anos jubilares, proclamou ao mundo o lema: Abri as Portas ao Redentor. Na celebração de encerramento da Porta Santa, aos 22 de abril de 1984, o Papa desejou entregar tal Cruz aos jovens, confiando a eles a tarefa de irem pelo mundo anunciar Jesus Cristo a todos os povos. Foram significativas as suas palavras: “Meus queridos jovens, ao concluir este Ano Santo, confio-vos o símbolo deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Levai-a pelo mundo afora como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, e anunciai a todos que só na morte e ressurreição de Cristo é que poderemos encontrar salvação e redenção.”
Recolhida ao Centro São Lourenço, ao lado da Basílica, local reservado pelo mesmo Papa ao acolhimento de jovens peregrinos e jovens carentes, a juventude não tardou em promover a primeira peregrinação com a Cruz, levando-a, em julho seguinte, ao Katholikentag, um grande encontro de jovens católicos na Alemanha. Daí para frente, a Cruz vem peregrinando sem cessar, tendo já passado por mais 30 países. A primeira Jornada Mundial da Juventude com o Papa – JMJ - se deu em Roma, em 1985, por ter sido aquele ano escolhido pela ONU como Ano da Juventude. Diz-se que a ONU convocou o Ano da Juventude, mas quem o realizou foi a Igreja. A partir de 2003, o Beato João Paulo II entregou aos jovens também um ícone de Nossa Senhora, como recordação da particular participação de Maria no Mistério da Redenção, modelo de fidelidade e de plena união com Deus, destacando que Maria não é o centro da História da Salvação, mas, por escolha de Deus, encontra-se no centro desta mesma história, como modelo de maturidade de fé, de fidelidade e de positiva obediência aos planos de Deus.
Estamos agora para celebrar a 25ª JMJ que, para honra e alegria dos brasileiros, será realizada no Rio de Janeiro, em julho de 2013. Porém, para nós a Jornada já começou. Uma grande movimentação vem sendo realizada nas dioceses, recebendo tais símbolos que se revelam como aglutinadores da juventude ao redor de Cristo, Maria, a Igreja, o Sucessor de Pedro. Tais momentos se tornam força evangelizadora e propulsora de genuína espiritualidade cristã para os jovens.
O Padre Eric Jacquinet, encarregado pela Santa Sé de organizar as JMJ, afirmou: “O Beato João Paulo II queria organizar não somente um encontro internacional de jovens, mas um encontro deles com Jesus Cristo e com a Igreja presente em todo o mundo. Queria que tivessem essa experiência de descobrir Jesus Cristo na Igreja” (citado no livro Cruz Peregrina Rumo ao Rio-2013, Edições CNBB).
A Cruz e o ícone de Maria passam em Juiz de Fora, nos dias 26 e 27 de novembro, com ampla programação organizada pela Arquidiocese. Venha participar!
Dom Gil Antônio Moreira - Arcebispo Metropolitano




