Estas teorias, hoje, são, como sabemos, inteiramente ultrapassadas. Pertencem somente à história da Filosofia e são hodiernamente cada vez mais desacreditadas. A evolução da ciência, as novas e esplêndidas descobertas, um crescimento da tecnologia quase assustador, levaram o homem a fazer novas e maravilhosas experiências, invadindo os espaços e penetrando os segredos da matéria. Esta experiência resulta na conclusão de que o homem é imensamente pequeno e o coloca atônito frente à obra criada e novamente suscita em sua mente a pergunta sobre a origem das coisas e da harmonia que as rege, e não elimina a integralidade do homem, excluindo todo materialismo.
O papa afirma que fé e razão são como “duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus, continua o Papa, que colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele , para que , conhecendo-O e amando-O , possa chegar também à verdade plena sobre si próprio” (Fides et Ratio- Proêmio)
O Catecismo da Igreja Católica afirma que a Igreja sempre manteve em seu seio uma grande estima pela investigação científica, contribuiu e se fez amante da pesquisa, obedecendo aos critérios próprios e naturais de sua época (Cf. CIC. 2293). É que a Igreja entende que toda a obra da criação foi dada por Deus ao homem, rei desta mesma criação, para que por ele fosse dominada e dele recebesse crescimento. O cristianismo se tornou, na história, guardião de tantas escolas e difusor de tantas teorias excelentes, com nomes como Alberto Magno, Tomás de Aquino, Boaventura, Galileu, Pascal , e muitos outros. No último século, vemos surgir no seio da Igreja, a fenomenologista Edith Stein, convertida do Judaísmo ao Cristianismo.
O homem de hoje, longe de reafirmar aquela fragmentação do século XIX, sabe que há na pessoa humana uma unidade de corpo, onde se mesclam elementos materiais e elementos espirituais, de forma a compreender que é inadmissível encontrar a verdade sobre este mesmo homem sem levar em consideração a sua abertura para o infinito, que afinal é Deus mesmo. Aqui se encontra o tema da XII Semana de Filosofia do Seminário Santo Antônio de Juiz de Fora: Filosofia da Religião: um diálogo dentre fé e razão, semana esta realizada de 7 a 11 de novembro em curso. Afirma o Papa que a fé não teme a razão. E Santo Agostinho, já em sua época, nos longínquos séc. IV e V, proclamava que amar a verdade é viver do Espírito Santo. (Santo Agostinho, Sermões 267, 4). O mesmo Papa João Paulo II afirmou na Exortação Apostólica. Pastores Dabo Vobis, que o estudo da filosofia leva-nos a uma compreensão e uma interpretação mais profunda da pessoa, da sua liberdade, das relações com o mundo e com Deus. (PDV. Nº 51)
A filosofia ajuda a enriquecer a formação intelectual com o “Culto da verdade” (idem ibeden). Por meio do estudo filosófico nós desenvolvemos uma verdadeira veneração na busca amorosa da verdade e assim tendemos à Verdade Suprema que é Deus. Buscando a verdade com sinceridade de intenções e iluminados pela luz da fé, a filosofia pode contribuir de fato para reconstrução da humanidade. Esta será, na verdade recuperada, quando ela encontrar a Verdade Suprema, Deus, criador eterno do homem. Os valores inalienáveis da justiça, da solidariedade, da fraternidade, do respeito mútuo, do valor sagrado da vida, da transcendência, não ficam, assim, relegados a meros sentimentos passageiros, mas passam a constituir elementos inalienáveis da constituição plena do ser humano. Neste sentido, a filosofia se torna um veículo para a realização do propósito.




