Arquidiocese de Juiz de Fora

  • Aumentar Tamanho do Texto
  • Tamanho Padrão do Texto
  • Diminuir Tamanho do Texto
Home Notícias/Artigos Artigos Finados e o Direito à Vida

Finados e o Direito à Vida

O livro dos Macabeus, na Bíblia, nos diz: Santo e piedoso costume é o de orar pelos mortos (Mb.12,46). Rezamos, sobretudo na ocasião de finados, pelos nossos entes queridos e por todos os que já passaram desta realidade terrena. Nossa oração por eles é, na verdade, um hino à vida. Nossa fé nos ensina que não fomos criados para morrer, mas para viver. Afirma Santo Ambrósio, Bispo de Milão no século quarto, que a morte não era da natureza, mas converteu-se em natureza. No princípio, Deus não fez a morte, mas deu-a como remédio. Pela prevaricação, condenada ao trabalho de cada dia e ao gemido intolerável, a vida dos homens começou a ser miserável. Era preciso dar fim aos males, para que a morte restituísse o que a vida perdera. Assim, o que nos move ao rezar pelos mortos é a certeza de que ressuscitaremos.

Somos impulsionados pela plena convicção de que nossos mortos não estão aniquilados, mas estão a caminho de Deus, na santa purificação do purgatório. Certos também somos de que muitos já se encontram na Casa definitiva do Pai, uma vez que Jesus disse a Dimas no alto do Calvário: Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso (Lc 23,43). Como Dimas, muitos outros, pela misericórdia divina, se encontram lá e nós os chamamos santos, pois já estão na posse perfeita de Deus, imersos na santidade Dele, único e verdadeiro Santo.

Porém, além da oração pelos mortos, devemos refletir nesta ocasião de finados, sobre a sacralidade da vida humana e sobre as grandes ameaças a que está sujeita hoje em dia. A ocasião se torna propícia para um autêntico compromisso de luta contra a cultura da morte. Falo especificamente sobre a ameaça de implantação de leis abortistas em nosso País. Perigosas formulações de projetos de leis, feitos por gente sem fé e sem o mínimo de respeito à dignidade natural do ser humano, tramitam no Congresso Nacional, colocando em risco não só a vida de tantos nascituros do presente e do futuro, quanto o respeito à nossa Constituição Federal que defende o direito à vida a todos os cidadãos brasileiros, independente de idade, raça ou condição social. Com eufemismos que têm a nítida intenção de enganar a população, como por exemplo, o termo interrupção da gravidez, se pretende impor ao País, o direito de matar crianças que ainda não nasceram. É preciso saber que interromper a gravidez é o mesmo que abortar, e abortar é assassinar, é crime de grande gravidade. Desde o século XIX, com as experiências de Karl Ernst (1827) e de Ueber Entwicklungs-geschiechteb, chamados pais da embriologia, a ciência tem afirmado que a vida humana tem início no momento da concepção, ou seja, no encontro do espermatozóide com o óvulo. A partir deste instante já existe um novo ser humano, diferente do corpo da mãe. Esta não tem, por nenhum motivo o direito de decretar-lhe a morte.

A revista Nature, em 2002, traz relatos de Helen Pearson que demonstram os experimentos de Gardner e Magdalena Zernicka-Goetz, os quais provam que nosso futuro está totalmente determinado no primeiro dia, no momento da concepção. Conclui-se assim que eliminar um embrião é eliminar um ser humano com todos os elementos de um outro de maior idade. A mãe que assassinasse um filho de um ou dois anos de vida seria certamente considerada um monstro. Mas como se pode aceitar que destrua impiedosamente a vida de uma criança que ainda não nasceu?

A fé católica é totalmente incompatível com a cultura da morte, pois ela se baseia na vida que para nós Cristo conquistou com seu sangue na cruz, ressuscitando ao terceiro dia, conforme as escrituras.

A ocasião do dia de finados seja para nós um canto à liturgia da vida, uma súplica para que o Senhor defenda a Pátria brasileira das forças que cultuam a morte em lugar de defenderem a vida.  Somos obra do Criador. Se passamos pela escuridão da morte, vamos para a claridade infinita da ressurreição, ao abraço definitivo com Deus que nos criou para viver e não para morrer.

 

 

 

Newsletter







Banner