Na primeira semana de outubro, celebra-se, no Brasil, a Semana da Vida. Dia 8 é o dia do Nascituro, a criança que está ainda no ventre materno. É oportuno propor uma reflexão sobre planejamento familiar, uma vez que o termo tem sido utilizado pela Igreja Católica há anos, e, nos últimos tempos, vem sendo também proposto por governantes, porém com sentido bem diverso em muitos aspectos.
A lei do Planejamento Familiar do Governo prevê ações preventivas e educativas, integrando o Sistema Único de Saúde (SUS) na execução prática, a fim de garantir a assistência à concepção e a contracepção. Porém, as tentativas de aplicação da lei têm resultado em sérios problemas em relação aos métodos e critérios.
As pílulas anticoncepcionais, incluindo a pílula-do-dia-seguinte - que grandes médicos e cientistas provam ser abortiva, como é o caso de Dr. Jéròme Lejeune, famoso geneticista descobridor da causa da síndrome de Down - são oferecidas não só nas farmácias, mas fartamente nas estações de metrô, ônibus, escolas e shoppings, à maneira de pipocas e caramelos. As operações cirúrgicas de vasectomia e laqueadura, cuja reversibilidade, segundo a medicina, é bastante complicada, estão ao alcance de todos sem problemas e sem custos.
A distribuição indiscriminada de preservativos a quem quiser, sem olhar nem mesmo a idade ou índice de responsabilidade de quem os recebe, sem alertar para os perigos do uso abusivo do sexo, e nem se preocupar com a possibilidade de incentivo à promiscuidade; o material de propaganda disponibilizado a mancheias nos postos; tudo isto não pode deixar de preocupar um sem número de pais e mães responsáveis que ficam boquiabertos, sem saber o que fazer e o que dizer diante de medidas impostas como estas.
A CNBB vem alertando a respeito dos perigos de um ‘planejamento familiar’ nestes termos. Pode se aplicar aqui o que diz em seu Doc. 80: “Neste tipo de raciocínio é que se percebe a ausência de sensibilidade não apenas com os dramas da vida como também para própria vida”.
E também: “A sexualidade humana, separada do amor e da fecundidade, parece reduzida à produção do prazer, deixando de ser premissa para que um homem e uma mulher entrelacem seus destinos, elaborando um projeto comum de vida, aberto para a procriação e a educação dos filhos, estabelecendo vínculos de comunhão na família”.
Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora




