Tive a graça inestimável de participar da 26º Jornada Mundial da Juventude, em Madri, nas datas de 16 a 21 de agosto passado, com uma pequena delegação de jovens de nossa Arquidiocese de Juiz de Fora. O evento pastoral se revela como uma extraordinária força evangelizadora, transformando uma boa parte destes jovens em autênticos missionários que retornam aos seus países de origem, motivados pela fé, pelo ardor apostólico e pelo amor à Igreja.
Alguns detalhes marcam a experiência, funcionando como sinais evidentes da presença de Deus e da força do Corpo Místico de Cristo, como a disposição do Santo Padre, com 84 anos, totalmente dedicado aos jovens por cinco dias, enfrentando o calor de 45 graus, intempéries, longas jornadas que às vezes ultrapassavam às 23 horas, 15 discursos feitos a públicos diferentes, incluindo uma verdadeira aula magna aos professores universitários de Espanha, substanciosas homilias aos seminaristas, aos religiosos e aos jovens em geral. A presença de mais de um milhão e meio de jovens vindos das mais variadas partes do mundo dispostos a rezar, a ouvir a voz da Igreja, a acolher a Palavra de Deus, significa algo de muito especial na defesa e promoção dos autênticos valores humanos. Impressiona, sem dúvida, sentir milhões de vozes ao canto vibrante do hino da jornada que aclamava: Firmes na Fé, enraizados e edificados em Cristo (Cf. Col. 2, 7), ou as ovações que os jovens faziam: Esta é a juventude do Papa, e depois escutar o respeitoso e orante silêncio desta multidão juvenil ao iniciar das palestras do Sucessor de Pedro, ou ao momento da Exposição e Adoração Eucarística. Vê-los todos de joelhos sobre o chão molhado, a rezar diante do Santíssimo Sacramento, na noite chuvosa da Vigília, em eloqüente ambiente de oração, foi forte. Sem dúvida significará para o mundo secularizado, excessivamente laical, e materialista de hoje, às vezes agressivo à Igreja, o fato de não ter havido nestes dias em Madri, nenhuma prisão e nem necessidade de qualquer atuação de policiais entre os jovens da jornada, a juventude de Cristo.
Tornar-se-á incompreensível, se não ilógico, verificar que os protestos de pequenos grupos anticristãos acontecidos timidamente nas imediações do evento, onde, ali sim, houve violência e abusos, merecer de certa parte da mídia atenção em prejuízo das notícias sobre o maior evento religioso do mundo ocidental nos tempos atuais, envolvendo jovens somente para o bem.
O anúncio do Papa a respeito da próxima Jornada Mundial da Juventude ser no Brasil em 2013 despertou entusiasmo em todos os brasileiros, a começar pelos 13 mil jovens de nosso país que estavam em Madri. Foi emocionante ver centenas de bandeiras auriverdes se agitarem em festa na esplanada do Aeroporto dos Quatro Ventos e dezenas de moços e moças, vestidos das cores nacionais, receberem das mãos do Papa a cruz de Cristo e o ícone de Nossa Senhora que percorrerão nossas dioceses até que chegue 2013.
A proclamação feita por Bento XVI, na quarta-feira seguinte em Roma, quando anunciou que o tema da nossa jornada brasileira será Ide e fazei discípulos em todas as nações, a partir do evangelho de São Mateus, 28, 19, não deixou de vibrar em nós de Juiz de Fora, constatando que se trata do mesmo tema de nosso Sínodo Arquidiocesano Fazei Discípulos Meus, cujo Documento final entra, nestes dias, em sua aplicação prática em nossas foranias, paróquias e comunidades.
Resta-nos, entre as atividades indicadas pelo referido Documento Sinodal, irmos nos preparando para a recepção da cruz e do ícone da JMJ que chegarão em Juiz de Fora dia 22 de novembro próximo.
Dom Gil Antônio Moreira - arcebispo metropolitano




