Arquidiocese de Juiz de Fora

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A Igreja e os jovens

Pela 26ª vez, a Igreja promove um mega encontro com jovens do mundo inteiro. Iniciadas pelo Papa Joao Paulo II, em 1985, as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) já percorreram vários continentes e esperamos, ansiosos, pela sua realizacão no Brasil.

A atual JMJ se realizou em Madri, dos dias 16 a 21 de agosto, com participação de mais de um milhao e meio de jovens, dos quais 16 mil eram do Brasil, entre eles nossa pequena delegação juizforana. Os jovens que participaram comigo voltarão certamente com a consciência de que poderão ser testemunhas da eficácia espiritual e da importância pastoral desta feliz iniciativa.

Ao momento da acolhida do Papa na Praça das Cibeles, no centro de Madri, não havia como não se emocionar ao ouvir o coro uníssono dos jovens cantando o hino da Jornada, com as palavras bíblicas “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé" Cl 2,7) e com a força de sua voz, a declarar: “esta é a juventude o Papa”.

As primeiras palavras de Bento XVI com a expressão “jovens amigos”, despertou enorme aplauso, passando o Papa logo a anunciar: “Há palavras que servem apenas para entreter, e passam como o vento; outras instruem, sob alguns aspectos, a mente. As palavras de Jesus, ao invés, têm de chegar ao coração, radicar-se nele e modelar a vida inteira.”

O anúncio explícito de Jesus Cristo aos jovens tem sido uma constante nas JMJ, despertando senso missiónário no sentido que cabe à Igreja de hoje e de amanhá apresentá-lo à humanidade como caminho, verdade e vida.

Faz parte das JMJ não só a palavra do Papa, mas também uma série de palestras a que chamam de catequeses, dadas por bispos em vários idiomas, durante os vários dias da jornada, através das quais a Igreja procura anunciar Cristo, a partir do tema escolhido, no caso da atual, a já citada palavra da Carta aos Colossenses: “Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé" (Cl 2,7).

Os jovens têm, nestas catequeses, oportunidade para dialogar com o palestrante, fazer perguntas e ainda dar testemunhos de vida. Entre muitos testemunhos significativos, certamente chamaram à atenção as palavras de dois jovens brasileiros. O primeiro, paulista de Campo Limpo, declarou que fora militante de grupos anarquistas, tendo pegado em armas para tentar impor regime totalitário de cunho marxista no país, e que tendo encontrado Cristo na Igreja Católica, descobriu que, para mudar as estruturas, a única arma é o amor a Deus e ao próximo, vividos autenticamente, excluindo toda possibilidade de violência.  A partir de sua descoberta, comparou sua atual luta com uma nova arma de cano duplo, de calibre 73, que seriam o Antigo e o Novo Testamento, e os 73 livros bíblicos. Tornou-se um apóstolo no mundo, como leigo convicto de que é impossível e inútil tentar mudar as estruturas sociais se não se muda a pessoa humana por dentro. O segundo testemunho foi de uma jovem universitária nordestina, que afirmou ter hoje uma profissão rendosa, com quatro cargos no magistério. Sendo solteira, disse: não preciso de tanto dinheiro e vou, a partir desta jornada, renunciar a dois destes cargos para dedicar-me mais à missão de missionária de Jesus Cristo na sociedade em que vivo.

Certamente, estes depoimentos dão à Igreja a certeza de que vale a pena semear o amor de Deus no coração dos jovens.

 

Dom Gil Antônio Moreira - arcebispo metropolitano de Juiz de Fora

 

 

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