Arquidiocese de Juiz de Fora

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I Exposição de Arte Sacra e História da Arquidiocese JF

Está aberta, no Salão térreo da Catedral, a Iª Exposição de Arte Sacra e História da Arquidiocese de Juiz de Fora. Quer-se com a mostra reforçar o canal de diálogo com a comunidade sobre as raízes históricas deste município e de outros vizinhos das quais a principal testemunha é a Igreja, porquanto todas estas povoações nasceram ao redor de uma capela, ou ermida, núcleos da fé cristã. As peças expostas, sobretudo no que diz respeito à arte sacra, revelam também a processo de transmissão da fé, ou seja, a evangelização, da forma católica, utilizando com profusão elementos artísticos, simbólicos, enquanto revelam a beleza das coisas imateriais escondida nas formas físicas e escultóricas. Os documentos relatam a aspectos da história de parte da região Mata Mineira, nos específicos limites da Arquidiocese juizforana.

Com tal evento, inicia-se a série de atividades comemorativas dos 50 anos da elevação da Diocese de Juiz de Fora à condição de Arquidiocese.

Porque a Igreja , nos dois mil anos de sua história,  usa a arte para evangelizar, para celebrar, para meditar?  O Santo Padre, João Paulo II, em 1993, em seu Motu Proprio Inde a Pontificatus Nostri Initio, afirmou: A fé tende, por sua natureza, a exprimir-se em formas artísticas e em testemunhos históricos, que têm uma intrínseca força evangelizadora e valor cultural, diante das quais a Igreja é chamada a prestar a máxima atenção. (Moto Proprio – Inde a Pontificatus Nostri Initio - 25. III. 1993).

A Igreja sempre valorizou a arte como veículo de comunicação das coisas espirituais e como expressão catequética. A informação racional, matemática das coisas, intelectual apenas, não resolve tudo, não atende aos anseios da pessoa humana. A arte vai mais além. Ela comunica revestida de emoção. A beleza (o belo) re-vela (des-vela) o que pela pura palavra, ou pela pura razão, não conseguimos exprimir. A arte, sabemos, ainda não revela com perfeição, por ser terrena, ser humana e por isso imperfeita. Só Deus pode promover uma plena re-velação. Deus é a plena beleza. Nele tudo é perfeitamente belo.

Quando Deus criou o homem e a mulher, criou-os à sua imagem e semelhança, como nos diz o livro do Gênesis em seu capítulo primeiro. Por isso, com razão, podemos dizer que a obra de arte mais perfeita entre as criaturas é, na verdade, a pessoa humana. O corpo humano, por si só, já é uma estupenda expressão de arte. Pensemos no encanto de quem estuda a anatomia! Que maravilha é a conjuntura dos órgãos, dos ossos, dos nervos e músculos. Mas este corpo, quando animado pelo espírito que o Criador soprou em suas narinas (Cf. Gen.1), se torna uma esplêndida obra digna de encantamento. Nem seria necessária a fé para cair-se num quase espanto de admiração. Se a mente humana é iluminada pela fé, então a admiração se torna um êxtase.

Deus começa a se re-velar à pessoa humana no ato da sua criação. Vai pouco a pouco se dando a conhecer e não o faz sem a beleza, sem o belo, a arte.

Quando chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou seu próprio Filho (feito homem) (Cf. Gál.4,4). Deus mesmo toma um corpo, fez-se matéria-animada, imagem-viva. Re-vela-se à pessoa humana. E quando Filipe lhe diz: Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta! Ele, o Mestre, responde: Filipe, quem me vê, vê o Pai! (Cf. Jo. 14,8-9).  Cristo, visível, é a imagem perfeita do Pai, invisível.

Esta é a função da arte: mostrar, com formas, aquilo que é invisível. A expressão do Credo Niceno-Constantinopolitano, Visibilia ad Invisibilia (do visível ao invisível) pode ser, de fato aplicado à arte.

 

Dom Gil Antônio Moreira
arcebispo metropolitano da Arquidiocese de Juiz de Fora
*Publicado em  08-08-11
 

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