social facebook social twitter social youtube

Histórico Arquivo Arquidiocesano

Dom Silvério Gomes Pimenta - 1º Arcebispo de Mariana (1896-1922)Dom Silvério Gomes Pimenta - 1º Arcebispo de Mariana (1896-1922)  Dom Helvécio Gomes de Oliveira, 2º Arcebispo de MarianaDom Helvécio Gomes de Oliveira, 2º Arcebispo de Mariana (1922-1960) em pé, do seu lado esquerdo Dom Justino José de Santana -1º bispo de Juiz de Fora

A Diocese de Juiz de Fora foi criada em 1924, tendo seu território desmembrado da Arquidiocese de Mariana. A instalação canônica só ocorreu um ano depois, com a chegada do seu primeiro Bispo. Com a criação da Cúria Diocesana, organizada pelo Monsenhor Domício de Paula Nardy, sacerdote pertencente ao clero marianense, o Arquivo Diocesano passou a funcionar de acordo com as normas e funções que regem os arquivos curiais. A sua incumbência principal é a de salvaguardar todo o acervo documental de valor permanente, produzido e acumulado administrativa e pastoralmente pela Igreja Particular de Juiz de Fora.

A preocupação com a criação dos arquivos eclesiásticos, presentes nas cúrias, paróquias, congregações religiosas é muito antiga na Igreja Católica Romana. O entendimento da necessidade do registro de sua caminhada entre os homens demonstra a consciência da importância da memória, no sentido de garantir às gerações vindouras, as marcas de seu passado e de seu presente, sem as quais não se poderia constituir uma identidade própria. Cabe às “instituições memória”, como arquivos e bibliotecas, um papel fundamental e decisivo para a sociedade, de salvaguardar parcelas da vivência humana, no presente e no passado, num processo constante e inexorável de construção dessa memória. Por essa razão a Igreja, em sua longa existência, sempre demonstrou preocupação com os arquivos eclesiásticos, expressa em inúmeros documentos pontifícios e episcopais, orientando e chamando a atenção para a importância fundamental dos mesmos, não apenas para a vida integral dos homens, mas também para a vida da própria Igreja.

O Código de Direito Canônico, presente em nosso país desde 1917, resumidamente é um corpo de leis que regulam e disciplinam a vida e a convivência dentro da Igreja. Hoje o que está em vigor é o promulgado em 1983, que dispõe vários cânones relativos aos arquivos contendo preciosas recomendações para as igrejas católicas de todo o Brasil. Vale lembrar o pensamento iluminado de João Paulo II sobre o significado do C.D.C para a Igreja “... o objetivo do Código de Direito Canônico não é, de forma alguma, substituir, na vida da Igreja e dos fiéis, a fé, a graça, os carismas, nem muito menos a caridade. Pelo contrário, sua finalidade é, antes, criar na sociedade eclesial uma ordem que, dando a primazia ao amor, à graça e aos carismas, facilite ao mesmo tempo seu desenvolvimento orgânico na vida, seja da sociedade eclesial, seja de cada um de seus membros.”

Decorridos quase 30 anos de sua promulgação, com o avanço tecnológico alcançado pela sociedade civil, pelos meios de comunicação e pela chamada Arquivística, os arquivos eclesiásticos enfrentam hoje o desafio necessário à sua modernização. Como organismos de custódia do precioso patrimônio documental eclesial, clamam pelo estabelecimento de uma política nacional adequada a sua realidade de Igreja, em consonância com as normas técnicas da moderna Arquivologia, tão necessária para a normatização e padronização de procedimentos técnicos e canônicos para todos os arquivos eclesiais presentes em nosso país, além de ser capaz de garantir a salvaguarda criteriosa e o tratamento técnico correto aos seus acervos documentais.

Dentro da Igreja Católica Romana, todas as igrejas quando criadas, inclusive suas Dioceses, têm como norma respeitada e cumprida, a implantação de seus arquivos. A Cúria Diocesana, centro do governo religioso, tem portanto, a incumbência de governar pastoralmente o seu rebanho. Por essa razão, aqui em Juiz de Fora, como município sede, ela foi o local onde as primeiras medidas governamentais da nova Diocese foram tomadas. Instalou-se a princípio, em caráter provisório, à rua do Progresso, atual rua Santos Dumont no bairro Granbery, transferindo-se depois para o grande salão do pavimento térreo da igreja Catedral.

Monsenhor Domcio de Paula NardyMonsenhor Domício de Paula Nardy, organizador da Diocese de Juiz de Fora

No mesmo ano da chegada do primeiro Bispo -1925, Monsenhor Nardy foi nomeado vigário geral da Diocese. O primeiro secretário do Bispado, padre Gustavo Coimbra Freire (julho a dezembro de 1925), manteve-se no cargo até o padre José Carolino de Menezes ocupá-lo no final de 1925, atuando até outubro de 1930. Este, retornou e permaneceu durante o período de maio a dezembro de 1932. Nesse momento, foi elaborado um inventário geral dos bens do novo Bispado, incluindo os arquivos.

O Monsenhor José Ferrer Ribeiro de Affonseca exerceu o cargo de vigário geral da Diocese durante 32 anos. Ele permaneceu como secretário do Bispado, de dezembro de 1934 a fevereiro de 1937, dedicando-se inclusive ao arquivo nesse período. Graças ao seu persistente trabalho, o arquivo foi organizado e mantido dentro das normas canônicas.

Também estiveram responsáveis pelo arquivo, cuidando do acervo permanente, os padres Rui Nunes Vale e o Cônego Lauro Neves. Vale ainda ressaltar o trabalho de grande valor, prestado por Monsenhor Vicente de Paulo Penido Burnier por cerca de 40 anos à frente do Arquivo. Este, mesmo sem conhecimento da técnica arquivística, deixou marcas de intensa sensibilidade no trato da massa documental, especialmente com relação à consciência da necessidade de preservação das fontes históricas como marcos identificadores da memória e da trajetória da Igreja de Juiz de Fora.

Monsenhor José Ferrer Ribeiro de AffonsecaMonsenhor José Ferrer Ribeiro de Affonseca  Cônego Lauro NevesCônego Lauro Neves  Monsenhor Vicente de Paulo Penido BurnierMonsenhor Vicente de Paulo Penido Burnier  08 Monsenhor Gustavo Coimbra FreireMonsenhor Gustavo Coimbra Freire

Nos últimos anos, o Arquivo Arquidiocesano vem crescendo mais rapidamente, beneficiado pela política interna da Igreja de Juiz de Fora de reconhecimento da importância de suas atribuições para a memória e para a história institucional na região, passando pelo desenvolvimento de políticas de proteção de seus arquivos, recolhimento de acervos e adequação das normas arquivísticas na organização de seus conjuntos documentais. O atual Arcebispo Metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira, com sólida formação na área de História pela Pontifícia Universidade Gregoriana em Roma, vem envidando esforços para que o Arquivo Arquidiocesano alcance um alto padrão técnico de acordo com as normas da moderna Arquivologia. Preocupado com a conservação preventiva do acervo, dotou este setor dos equipamentos necessários ao controle da ambiência (climatização da área de guarda), para o qual é mantido um monitoramento diário da temperatura e da umidade relativa do ar. Com a finalidade de subsidiar pesquisas internas e complementar pesquisas externas, o Arquivo mantém uma biblioteca de apoio com títulos importantes na área de história da Igreja, do município e região, além de publicações técnicas específicas de arquivo. O Arcebispo está propiciando ainda melhores condições para o desenvolvimento e consolidação de uma política própria voltada para o tratamento dos arquivos eclesiásticos da Igreja de Juiz de Fora, seja no âmbito curial, seja no âmbito paroquial.